Prolongamento da pandemia: as campanhas de doações retomam com pequenas e grandes iniciativas no Ceará

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Conheça algumas iniciativas que fazem a diferença para os mais necessitados nesta retomada de ações de solidariedade

Durante anos, a história do gavião, que encontra um beija-flor tentando apagar o incêndio na floresta com o seu pequeno bico, esteve presente no imaginário de todos aqueles que fazem algo para o próximo ou a diferença na vida das pessoas. Estes agentes do bem perceberam o sentido mais amplo da frase clássica do beija-flor ‘estou fazendo a minha parte’.

Com o início da pandemia da Covid-19 no ano passado, nos primeiros meses, esse sentimento de solidariedade se espalhou pelo Brasil por meio de ações de empresas, instituições, associações e a população em geral. Mesmo com os auxílios dos governos nas três esferas, a demanda sempre foi grande, por conta dos efeitos socioeconômicos causados pela pandemia.

O que se tem observado é que o País atravessa o pior período, com o aumento assustador de infectados pelo coronavírus e a maioria dos estados necessitou de decretar restrições no comércio de seus estados, acentuou o problema da fome e a necessidade das doações ainda maior.

Com o prolongamento da pandemia as doações caíram drasticamente, até 20 de julho de 2020 atingiu R$ 6 bilhões, conforme os dados do Monitor das Doações da Associação Brasileira dos Captadores de Recursos (ABCR). Mas com o avanço da doença na virada do ano, que coincidiu com o fim do auxílio emergencial do Governo Federal, os números em 2021 estão ainda muito longe de atingir um patamar próximo a 2020.

O governo retomará o pagamento do auxílio neste mês, as organizações civis estão reforçando as campanhas de doações, com iniciativas que acontecem em todos os estados brasileiros, ações grandiosas como a da Central Única de Favelas (Cufa), que tem uma campanha para ajudar mães solo de 17 estados e do Distrito Federal, com o ‘Mães na Favela, que no Ceará beneficiará 400 mães solteiras com uma bolsa-auxílio, em parceria com o Instituto Unibanco e a plataforma PicPay.

Em Fortaleza, no mês de março o ‘Movimento Supera Fortaleza’ lançou uma campanha destinada aos trabalhadores autônomos com doações de alimentos, material de higiene e em dinheiro para atender a esta população, que contou com parcerias e apoio da Prefeitura de Fortaleza, arrecadou um total de R$488.712,00, dados divulgados em suas plataformas.

Com o objetivo de arrecadar cestas básicas, a Associação das Empresas do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (AECIPP) reativou a campanha “Cesta amiga: alimentando esperanças”, que no ano passado arrecadou 12 mil cestas básicas para as famílias de Fortaleza, São Gonçalo do Amarante, Caucaia e Paracuru. A AECIPP reeditou a campanha no início deste mês e irá até junho.

130 cestas básicas arrecadadas para as associações do Cumbuco, Paracuru e Paul em junho/2020 – Foto: divulgação

“Na primeira edição da campanha, tivemos uma grande adesão e esperamos que esse ano novamente as pessoas se sensibilizem e contribuam. A nossa solidariedade é fundamental, pois essas famílias, que já vivem em condições muito precárias e já enfrentam muitas necessidades normalmente, nesse momento, estão precisando ainda mais da nossa ajuda”, reforça o presidente do Conselho de Administração da AECIPP, Ricardo Parente, em nota divulgada no site da entidade.

Iniciativas pequenas que são grandes no Ceará

Jaefson Severiano posa à frente das cestas básicas - Foto: Instagram

Na Serra da Merouca, Jaefson Severiano, 21, empresário do ramo de chapéu e castanha de caju, como se define, resolveu fazer uma campanha para arrecadar alimentos para os mais necessitados. Justificou em vídeo no seu instagram “que as coisas não estão nada fáceis para as pessoas que estão precisando”.

No Cariri, desde 2019, um comitê foi criado para dar apoio aos migrantes da Venezuela, com o envolvimento de várias entidades, associações, ONGs, representantes de universidades, para discutir a migração e o que poderia ser feito para ajudar aquelas pessoas que chegavam ao Crato.

Surgiu a proposta da criação da Casa do Migrante de Crato, em parceria com a Diocese de Crato, que doou a casa. “Nós mobilizamos em várias ações para mobiliar a casa, e conseguimos dar assistência a mais de 100 migrantes, de forma direta e indireta com acolhimento [na casa], doações de cestas básicas e outros encaminhamentos’’, relatou ao site do Correio Ibiapaba, Weldes dos Santos Alexandre, à época um dos coordenadores da Casa do Migrante.

Em 2020, o fluxo migratório aumentou e o agravamento da pandemia, eles acolheram várias famílias, “no que chamamos de casa de passagem por um período de três meses, depois pleiteávamos um aluguel social seis meses junto ao município, além de incluir os migrantes nas políticas sociais”, explica Alexandre.

Uma família venezuelana recebe a doação da Casa do Migrante de Crato - Foto: Instagram

Eles perceberam que também os catadores de rua estavam afetados diante da situação da pandemia e também, iniciaram uma ação comunitária ‘Ajudem o Povo Migrante e Catadores no Cariri-CE”. E estão mobilizados na arrecadação de alimentos, cestas básicas e ajuda financeira para apoiar estas pessoas.

Na Ibiapaba, o Ponto de Cultura Vamos Fazer Arte, localizado em Croatá, tem sido uma referência nas campanhas de arrecadação de alimentos na região. Em 2020, com as aulas on line solidárias com artistas locais e do projeto da Associação Arte em Pauta, eles arrecadaram mais de duas toneladas de alimentos para famílias carentes de Croatá. E este ano, com o Projeto Música com Cidadania, eles pretendem superar a marca do ano passado.

Para Géssica Monteiro, uma das coordenadoras do projeto social, é tempo de pensar no próximo que enfrenta dificuldades, “este momento da pandemia está difícil para todos, mas imagina para aqueles que não têm nem condições de garantir o mínimo para a sobrevivência de suas famílias?’’, indaga.

Entrega de uma das cestas básicas na sede do Ponto de Cultura Vamos Fazer Arte, sexta-feira, 2 - Foto: Andréia Conceição Santos

Na última sexta-feira, 2, ela e outros membros da associação realizaram a entrega de cestas básicas para dez famílias do município, em parceria com empresas e com a Pastoral da Caridade da Paróquia de Croatá. O grupo continuará com as ações do Música com Cidadania, com as lives musicais, do conhecimento, festival e com as aulas on line, que fazem parte do conjunto de ações do projeto. Essa foi uma das várias iniciativas do Ponto de Cultura, que em plena Sexta-feira da Paixão proporcionou este alento para quem precisa com urgência “e há muito o que ser feito ainda’’, reforça Géssica.

São os agentes do bem, em forma de beija-flores do Ceará.

(Foto de capa: Distribuição das cestas básicas do Ponto de Cultura Vamos Fazer Arte em 2020)

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