Exportações de melão pelo Ceará têm melhor resultado desde 2016

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Mesmo com as incertezas no mercado global, e a queda das exportações totais do Estado, setor se beneficiou da alta demanda proveniente da Europa e pela taxa de câmbio favorável aos produtos nacionais

"Tivemos uma boa produtividade, em torno de 25 toneladas por hectare e houve um forte consumo na Europa. As pessoas ficando em casa acabaram consumindo mais frutas. Além disso, a Espanha (maior produtor de melão do continente) enfrentou problemas para produzir. Então, dentro de todo esse cenário, a gente considera que o resultado foi bem positivo. E a safra ainda vai até fevereiro", diz Luiz Roberto Barcelos, diretor institucional da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e maior produtor de melão do País.

De janeiro a dezembro de 2020, as exportações cearenses de melão somaram US$ 50,493 milhões, sendo o maior volume registrado em setembro (US$ 11,324 milhões). No ano, os principais mercados compradores do melão cearense foram a Holanda (US$ 21,316 milhões), Reino Unido (US$ 16,342 milhões), Espanha (US$ 6,218 milhões), Emirados Árabes Unidos (US$ 1,236 milhão) e Itália (US$ 1,071 milhão).

Expectativa para 2021

Para 2021, Barcelos diz que ainda é cedo para projetar alguma estimativa para o setor, mas acredita que o resultado seja semelhante ao de 2020. "Ainda há muitas incertezas sobre a evolução da pandemia, sobre a eficácia das vacinas, se haverá novas restrições. Mas tudo leva a crer que será um ano parecido com 2020", ele diz.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Flávio Saboya, destaca que as chuvas de 2020 acabaram contribuindo positivamente para a safra e que a previsão é que neste ano a água não seja um problema para os produtores. "Nos últimos anos tivemos alguns produtores que migraram para o sul do Piauí ou para o Rio Grande do Norte por conta da escassez de água no Ceará. Mas estamos iniciando uma quadra invernosa com boas perspectivas. Então vejo os produtores muito confiantes com as possibilidades deste ano", contextualiza.

Quanto às águas da transposição do Rio São Francisco, a expectativa é que o setor só seja beneficiado pela medida no próximo ano. Segundo Saboya, essas águas devem abastecer principalmente a região da Chapada do Apodi, contendo a migração de produtores para outros estados.

Gargalo

Apesar do bom resultado de 2020, Barcelos diz que a baixa oferta de linhas marítimas de longo curso ainda representa um gargalo para os exportadores. "Temos dois serviços para a Europa, mas gostaríamos de ter mais. A linha para a China ainda não saiu. Então, isso ainda é um gargalo para nós", diz. Segundo Mariana Lara, diretora de Marketing e Vendas da Hamburg Süd, a empresa pretende ampliar sua participação no Porto do Pecém. "O setor de frutas foi um mercado que a gente teve uma alta de 15% em 2020 e a perspectiva é de que em 2021 a gente tenha um crescimento de 5%".

(Diário do Nordeste - 26/01/2021)
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