Universitária se dedica a transportar mulheres em aplicativo só para o público feminino em Fortaleza

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Há um ano, a rotina de Rebeka Camurça, 30 anos, é transportar mulheres entre os bairros da capital cearense trabalhando com um aplicativo só para o público feminino, criado por duas empreendedoras. O trabalho como motorista ajuda a pagar as contas de casa enquanto conclui o curso de licenciatura em História, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em Fortaleza.

A ideia de ser motorista de aplicativo veio após um ano e meio desempregada. Depois de sair do emprego na área administrativa de um colégio particular na capital, decidiu focar na faculdade e usar os meios que tinha para pagar as contas: o carro e o celular. “Hoje, a minha área de atuação é educação. Enquanto não me formo e não consigo emprego na área, vou me virando no aplicativo”, declara.

Segundo Rebeka, mesmo com a grande demanda de corridas e da diversidade de passageiros, a preferência dela sempre foi pelo transporte de mulheres. Por isso, quando a ideia de um serviço para o público feminino surgiu em um grupo de mulheres motoristas de aplicativos, ela foi uma das primeiras a apoiar. E, mesmo com os desafios de trabalhar em um serviço novo em uma cidade grande, diz que valeu a pena. “No primeiro dia [do aplicativo] eu fiquei rodando por horas e não tinha nenhuma corrida. […] Hoje, eu faço, em média, de oito a nove corridas por dia pelo ‘Divas’”, afirma.

“Em uma era que a gente vê o feminicídio tomando conta da nossa cidade, do Brasil e, principalmente da região Nordeste, que tem apresentado muitos casos, o ‘Divas’ trouxe uma segurança a mais pra gente que é mulher”.

O serviço de transporte alternativo que Rebeka trabalha, Divas For, teve uma procura 30% maior de novas clientes em agosto, se comparado ao mês anterior, após a denúncia de mulheres que foram vítimas de estupro por um motorista de aplicativo. O suspeito foi preso no último dia 17, em Fortaleza.

Segundo uma das criadoras do serviço na capital cearense, Cibele Bezerra, de 49 anos, a causa da procura intensificada foi a repercussão da prisão do suspeito de estelionato e estupro, Patrick Gomes, 26 anos, que atuava como motorista de aplicativo de transporte.“Só no fim de semana depois da prisão [do suspeito] nós recebemos quase cem ligações e pedidos na página do Facebook perguntando sobre como solicitar, cadê o aplicativo e pedindo a volta do aplicativo. Súplicas, de verdade”, afirma.

Aplicativo

Criado em julho de 2017, o serviço atualmente conta com pouco mais de 500 motoristas e 13 mil passageiras cadastradas. Os homens não são impedidos de utilizarem, desde que estejam acompanhando uma mulher. Segundo Cibele, a ideia é que o serviço integre também corridas de motos, entrega e agendamento de corridas, além de serviços exclusivos para idosos e pessoas com deficiência. “A ideia do ‘Divas’ não é só fazer o transporte de pessoas, é um serviço que transporta pessoas que estão carentes”, declara.

A guarda municipal Heloisa Marques, 43 anos, utiliza o serviço de transporte, em média, cinco vezes por semana. Ela, que é mãe de dois filhos, diz que é mais prático pedir uma corrida do que sair no carro pessoal, mas a preocupação com a segurança a fez parar de pedir em outros aplicativos. “Como trabalho na área da segurança, já ouvi muitos relatos de mulheres que sofreram assédio [...] e acredito que existe muita falta de segurança no perfil de escolha dos motoristas (de aplicativos). Uma coisa que observei no ‘Divas’ é que elas têm essa preocupação”, declara.

Segundo Cibele, apesar de se tratar de um serviço que também trabalha com aplicativo e o cadastro das motoristas ser feito pela internet, ele só é finalizado com uma visita ao escritório. “O nosso critério maior e essencial é só liberar o cadastro no nosso escritório. Nós queremos conhecer uma a uma, como se fosse uma entrevista”, afirma. A criadora enfatiza também que todas as condutoras passam por avaliação do histórico criminal.

“A satisfação das nossas passageiras é gritante, porque muitas já sofreram violência verbal, mental e até física dentro de um carro de aplicativo”, declara Rebeka.

(G1 Ceará, por Lia di Carli)

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