Refugiados escolhem o Ceará para reconstruir suas carreiras

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Após cinco meses de preparação, uma viagem de três dias até Boa Vista (RR) e mais algumas horas de avião, o venezuelano Rodrigo Medina, 27, chegou ao Ceará, em maio de 2017. Formado em Gastronomia, Rodrigo se viu forçado a emigrar devido à situação econômica e social da Venezuela. Com a ajuda de um primo que já morava no Estado, ele viu no Ceará uma chance de ter uma carreira profissional e de construir uma vida melhor.

Refugiado é aquele que foi forçado a deixar o seu país de origem ou de residência devido a um fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opinião políticas, assim como devido à grave e generalizada violação de direitos humanos.

O Ceará tem sido um dos estados brasileiros mais visados por pessoas nessa situação. Até o dia 26 de abril, 79 solicitações de refúgio já foram feitas para território cearense, o maior número entre os estados do Nordeste, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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Ao chegar, Ricardo conseguiu um emprego temporário em um hotel. “Eu já tinha trabalhado em restaurantes na Venezuela. A minha cidade era conhecida por ter uma grande variedade de imigrantes. Pela diversidade cultural, a demanda do setor de gastronomia foi crescendo. Depois, foi caindo a qualidade dos alimentos por redução de custos e de pessoal. Negócios pequenos e médios foram fechando as portas”.

Ondas migratórias

Sobre a preferência pelo Ceará, Pablo Mattos, oficial de proteção da Organização das Nações Unidas para Refugiados no Brasil (Acnur), explica que, à medida que há pessoas de determinada nacionalidade em um Estado, é comum que mais busquem o mesmo local. 

“É uma questão de redes migratórias. Eles recebem muita informação e acabam escolhendo o lugar para ser seu novo lar também. Mas, no caso dos refugiados, acontece muito de ser onde foi possível chegar também. Por ser um processo forçado, eles têm pouco ou nenhum planejamento”.

Mercado de trabalho

A capacidade de absorção do mercado de trabalho brasileiro tem sido questionada por alguns. No entanto, João Brígido Bezerra, coordenador de estudos internacionais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela que os refugiados podem suprir carências. “Era o caso do programa Mais Médicos, que acolhia principalmente cubanos. Também recebemos haitianos, que chegam sem mão de obra qualificada. No Sul e Sudeste, há oferta de vagas no mercado primário que contrata brasileiros e estrangeiros sem distinção”, aponta.

Direitos

Mattos esclarece que, ao chegar ao Brasil e solicitar o refúgio, aquela pessoa já tem direitos garantidos. “O processo para analisar toda a documentação é demorado e um pouco burocrático. Em média, o resultado tem saído após dois anos. Enquanto isso, o solicitante de refúgio tem direito de exercer seus atos da vida civil, direitos sociais, econômicos e culturais, entre outros”.

Resguardados pela lei 9474/1997, os solicitantes de refúgio e refugiados (aqueles que já receberam a confirmação do seu refúgio) podem emitir a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e ingressar no mercado.

É o caso de Medina, que já passou por cinco estabelecimentos, todos com carteira assinada. “Dei entrada na minha solicitação de refúgio, mas ainda não tive resposta. Nunca tive nenhum problema para conseguir trabalho”, revela o venezuelano.

(Diário do Nordeste, por Carolina Mesquita - Foto: Thiago Gadelha)

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