Projeto abastece famílias em áreas isoladas no semiárido do Ceará

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Através de um projeto inovador, e que está em fase de teste, milhares de agricultores em comunidades rurais isoladas no Sertão cearense começam a ter suas cisternas abastecidas. Até o fim do ano, cerca de cinco mil famílias serão assistidas. O recurso hídrico que chega para o sertanejo é oriundo de açudes e de poços, por meio de Estações de Tratamento Móveis de Água (ETAs), oriundas de Israel - país do Oriente Médio - e adquiridas de pelo Governo do Estado.

Depois de cinco meses sem chuva, as cisternas de placas e polietilenos instaladas no entorno das casas para o consumo humano começam a secar. "Só sabe o nosso sofrimento quem vem aqui. É muita dificuldade para conseguir água de qualidade", diz a moradora da zona rural de Potengi, no Sul do Ceará, Socorro Rocha. "É preciso caminhar, às vezes, cinco quilômetros ou mais".

Vizinho a Potengi, na cidade de Salitre, uma das áreas mais afetadas com a escassez de água, 1.500 famílias foram assistidas com uma unidade da ETA Móvel. Em poucas semanas, o resultado já é expressivo. "Foi um alívio para todos nós", conta o agricultor José Bezerra. "A água é pura, muito boa para beber e cozinhar".

Potável

As ETAs Móveis cuidam do tratamento da água captada a partir de mananciais públicos e através de carros-pipa próprios, adquiridos pelo projeto. Para as regiões onde os açudes estão com pouca água, as Estações conseguem tratar a água insalubre ou de má qualidade, garantindo segurança hídrica na estiagem.

Até o fim deste ano, a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) estima alcançar o abastecimento de cinco mil famílias que vivem na extrema pobreza. No decorrer deste mês e em dezembro próximo, a expectativa dos técnicos é atender a mais 2.330 cisternas. O projeto já atende às regiões de Sobral, Inhamuns e Cariri Oeste. Esta última região contempla os municípios de Mucambo e Salitre. Depois, será a vez de Assaré.

De acordo com o responsável pela meta de abastecimento da SDA, Orestes Serafim, no total serão atendidas famílias de 33 municípios cearenses. "Vimos que há necessidade de alargar esse projeto, mas precisamos ter cautela, responsabilidade", pontua. "A nossa prioridade é atender às áreas mais críticas, que sofrem com o desabastecimento", acrescentou.

Orestes Serafim esclareceu ainda que, inicialmente, foram adquiridas seis máquinas, cinco delas fazem a filtração e processo químico da água salgada para a doce, deixando-a potável.

Atendimento

A média de atendimento das ETAs é de dez cisternas por dia. Cada uma delas recebe uma carga de cinco mil litros, suficiente para atender uma família com quatro pessoas até a próxima quadra chuvosa, que começa em fevereiro de 2020. A capacidade de cada unidade é de 16 mil litros, mas o recurso hídrico precisa ser bem distribuído, "para evitar desperdício".

As famílias beneficiadas recebem visitas de orientação técnica antes de a água ser distribuída. "O recurso hídrico precisa ser poupado, a partir do uso consciente", observa Orestes Serafim. Para 2020, ao fim do período de teste realizado neste ano, a expectativa é dar continuidade ao projeto e expandi-lo para outras regiões do sertão cearense.

(Diário do Nordeste, por Honório Barbosa)

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