Pioneira na reciclagem de gesso no Ceará busca destino correto a materiais descartados por construtoras

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Contaminação de lençóis freáticos, poluição do solo e produção de gases tóxicos são alguns dos problemas causados pelo descarte incorreto de gesso. É na redução desses impactos que a equipe da Biocicla pretende atuar. Com a conclusão do processo de abertura da empresa, previsto para junho de 2019, ela será pioneira na reciclagem de gesso no Ceará.

Na 2ª reportagem da série "Ceará Recicla", sobre negócios que atuam sozinhos num setor específico da reciclagem no estado, o Tribuna do Ceará traça o perfil da instituição, que faz parte da rede de associados ao Sindicato das Empresas de Reciclagem de Resíduos Sólidos Domésticos e Industriais do Estado do Ceará (Sindiverde).

Segundo Lara Moura, gerente geral da Biocicla, a intenção é receber os resíduos descartados por construtoras localizadas em Fortaleza e municípios vizinhos. A engenheira ambiental e sanitarista estima que, no futuro, cerca de 1.200 quilos de gesso cheguem mensalmente à empresa sediada em Caucaia, a 18 quilômetros da capital cearense.

“A gente vai solucionar problemas ambientais, promover um descarte correto e solucionar também o problema das construtoras, que pagam muito caro para que aterros recebam esses resíduos”, explica.

Enquanto não obtém a liberação para o início das operações, a Biocicla tem Lara como sua única funcionária. Aos 23 anos, ela assume a gestão de um projeto que começou a ser idealizado por seu tio em 2015.

“Ele é empresário do ramo da construção civil, presta serviço para produtoras de gesso. A ideia saiu daí, de pegar esse material e fazê-lo voltar a ser gesso novamente”, conta a jovem.

Gesso em pó, gesso de revestimento, placas, blocos, gesso-cola e gesso-agrícola são algumas das derivações que a Biocicla pretende produzir a partir do material recebido. Para isso, contarão com cerca de 20 funcionários.

De acordo com Lara, esses profissionais serão responsáveis por meticuloso processo, que envolve: triagem inicial, para separar o que pode ou não ser reciclado; moagem, para afinar os grãos de gesso; aquecimento; secagem; e adição de substâncias químicas, para aperfeiçoar características do produto.

Em seguida, o gesso reciclado poderá ser revendido para construtoras ou depósitos de construção. A gestora da empresa afirma que todo o processo seguirá as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e garante que o resultado é muito similar ao gesso comercial.

“Tudo foi pesquisado pela gente. Comparado ao gesso comercial, o resultado é quase igual. Gesso reciclado é perfeitamente utilizável”, assegura a engenheira.

A proposta da Biocicla está de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Instituída pela Lei nº 12.305/10, a resolução prevê a logística reversa, um conjunto de ações que viabilizam a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial.

Esta temática foi abordada em um dos cursos que Lara conseguiu fazer depois que a Biocicla firmou parceria com o Sindiverde. “Foi super massa. O Sindiverde nos ajuda muito, estão sempre à disposição, ligam para saber se está tudo bem, se precisamos de algo, oferecem esses cursos. Essa parceria é muito agradável”, avalia a gerente geral.

Com um galpão em reforma e equipamentos ainda sendo produzidos, a Biocicla já galga passos mais largos: no futuro, pretende abrir filiais em outros estados. Segundo Lara, a intenção é levar para esses lugares a principal mensagem da empresa: “Se a gente repensar em tudo que a gente faz hoje e começar a fazer correto, tudo vai mudar para melhor”.

(Tribuna do Ceará, por William Barros - Foto: Lara Moura)

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