Com leucemia aos 21 anos, estudante se redescobriu no esporte

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Vôlei, basquete, dentre outros esportes, quase sempre estiveram presentes na vida de Rosane Alice Moraes. O "quase" começou em 2015 quando a estudante de medicina foi diagnosticada com câncer. Empolgada em uma partida de vôlei com amigos, a jovem se esforçou demais para salvar uma bola, chocou o joelho no chão e acabou com uma mancha na pele que custou a sair. A explicação para esse sintoma e dores de cabeça recorrentes veio em um hemograma no dia 11 de junho de 2015: leucemia.

No mesmo ano, a jovem iniciou um tratamento. Em 2016, piorou e recomeçou a luta para combater a doença. O transplante de medula óssea foi a recomendação do médico para afugentar o câncer. Em um ato de amor, a mãe de Rosane foi a doadora e garantiu a ela chance de seguir na batalha.

O tratamento limitou bastante Rosane. A jovem teve que trancar seu curso e receber menos visitas por conta da imunidade baixa. Os dias em casa, longe dos amigos, não afetaram a alegria e a vontade de viver da jovem, que por meio da internet resolveu incentivar as pessoas a se tornarem também doadoras. A estudante passou a gravar vídeos sobre a importância de doar medula óssea.

"Você passa a enxergar a vida para ser vivida de verdade, independentemente da condição que você esteja. Dar 110% sempre. Estava parada, não podia sair para falar com amigos, então resolvi fazer o vídeo como uma forma de ajudar outras pessoas e buscar essa comunicação", revela.

Com a melhora no quadro, Rosane retomou a faculdade e os exercícios, em especial a corrida. O vento no rosto e o bem-estar vieram como uma terapia, um encontro consigo mesma. O desejo de competir foi fruto de uma curiosidade. Conheceu os Jogos Mundiais para Transplantados (World Transplant Games) por internet e televisão e se interessou.

"Minha tia conseguiu achar o site da Associação Brasileira dos Transplantados. Consegui o contato dos meninos, o Rodrigo e a Patrícia, e estabeleci esse contato virtualmente. Me empolguei para voltar para o esporte. Tem várias competições. Em novembro, terá a primeira brasileira", conta.

Medalhas

A disputa, uma espécie de Olimpíada, foi realizada em Newcastle, na Inglaterra, e o Brasil ganhou 17 medalhas, sendo duas delas conquistadas por Rosane (1.500 e 700 metros). A prata e bronze não são as únicas recordações especiais da experiência, para a jovem o maior prêmio foi conhecer outras histórias de superação assim como a sua.

"Você até fica feliz quando vê eles passando a gente. Parece brincadeira, mas é sério. Ver um transplantado de coração, de 80 anos. Você fica muito feliz só de ver ele completar a prova", lembra.

Entre todos, o sorriso e entusiasmo foram os principais companheiros de Rosane nessa caminhada. Aos 25 anos, e transplantada há três, a estudante sonha em se formar e seguir ajudando as pessoas. "A vida é mais que isso. O presente está aí para a gente e precisamos dar o nosso máximo independentemente da condição que estivermos", finaliza.

(Diário do Nordeste, por Beatriz Carvalho - Foto: Thiago Gadelha)
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