Ceará na Sapucaí: União da Ilha finaliza preparativos para o desfile desta segunda-feira (4)

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A expressão cearense "Vixe, Maria!" é uma das mais ouvidas na Estrada do Galeão, bairro Cacuia, do Rio de Janeiro, nos últimos meses. Os cariocas incorporaram o termo às conversas cotidianas depois que o samba-enredo da escola União da Ilha do Governador foi escolhido para o Carnaval 2019. Na quadra da agremiação, é praticamente impossível não ouvir isso a cada 5 minutos de prosa.

Entre a entrega de uma fantasia e a finalização de um instrumento da bateria, os integrantes da escola aproveitam para ensaiar a canção que ecoará da Avenida até o Ceará. Quem canta a ilha "ouvindo poesias de Rachel" e suspirando "nas histórias de Alencar" são mulheres como Jurema de Castro de Almeida, 62, e Luciene Rosa de Oliveira, 70, a presidente e a secretária da Velha Guarda, respectivamente.

"Sou nordestina com muita honra, com muito orgulho!", afirma Jurema, baiana que vive no Rio há 30 anos, 29 deles dedicados à escola. "Este samba-enredo é lindo e a homenagem ao Ceará foi maravilhosa. Há muito tempo que eu estava torcendo pra isso. Se não fosse pra Bahia, tinha que ser pra algum outro estado do lado de lá", reforça ela.

Coordenando um grupo de 80 idosos que desfilarão com um figurino confeccionado por rendeiras cearenses, a presidente da agremiação admite que a função "dá trabalho". Mas é no carinho que recebe de pessoas como a colega Luciene que tudo passa a valer a pena. "Estamos prontas para fazer sucesso com nossa roupa esplendorosa! Vixe, Maria!", brinca a secretária.

Bateria da União da Ilha vai incorporar triângulo e sanfona durante o desfile

Quem também está seguro de que vai fazer uma bela festa na Sapucaí é o mestre de bateria Keko Araújo, 36. Isso porque, além dos 264 ritmistas, a escola vai desfilar com 11 pessoas tocando triângulo, o que fará o samba conversar com o forró e o xaxado.

"Esse ano fomos duas vezes ao Ceará, no réveillon e no pré-carnaval. Isso é bom pra buscar conhecimento. A visita fez com que a gente agregasse novos valores ao samba. No meio da bateria vai ter triângulo, vai ter sanfona, vai ficar bonita a festa", promete.

O Brasil canta o Ceará

O artista plástico Nivaldo Silva, 63, mais conhecido como o Silva da Ilha, reforça a importância de valorizar essa identidade nordestina enquanto finaliza a pintura dos instrumentos percussivos.

 "Sou natural de Campina Grande, e vim pro Rio de Janeiro com 5 anos. Trouxe de lá essa riqueza que é nossa cultura, o que me lembra muito o carnavalesco Joãosinho Trinta. Assim como ele, que era de São Luís, muitos artistas vêm da região Nordeste para cá e aqui a gente se descobre, faz uma mistura que cai bem", exemplifica.

Na segunda-feira (4), ele sairá na ala de "Pratas da Casa" com a esposa Ana. A apoteose será apenas um detalhe. A devoção diária de Silva e outros tantos ao trabalho nas escolas de samba não cabe em um hora de desfile.

 (Diário do Nordeste, por Roberta Souza - Enviada ao Rio de Janeiro - Foto: João Lima Neto)

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